Família desaparecida no RS: polícia vai checar 6 mil veículos de cor e modelo iguais ao visto na casa de Silvana

  • 03/03/2026
(Foto: Reprodução)
Polícia vai checar 6 mil veículos de cor e modelo iguais ao visto em casa de desaparecida A Polícia Civil está fazendo uma força-tarefa para tentar localizar o veículo visto em 24 de janeiro na casa onde vivia Silvana Germann de Aguiar, em Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Ela é filha do casal de idosos Isail Vieira de Aguiar e Dalmira Germann de Aguiar. Os três estão desaparecidos há mais de um mês. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp De acordo com o delegado Anderson Spier, a consulta à base de dados do Detran indicou 6 mil automóveis emplacados no Rio Grande do Sul com o mesmo modelo e cor. Todos os carros serão fiscalizados, segundo Spier. "Foram 6 mil Fox vermelhos emplacados no RS. Estamos fazendo isso agora: checando todos os veículos, um a um, para verificar se preenchem as características do veículo que a gente vê nas imagens", esclarece o delegado. Nas imagens, o carro vermelho aparece entrando na residência de Silvana às 20h34, no último dia em que ela foi vista. Oito minutos depois, o automóvel deixa a casa. A polícia acredita que a localização do veículo pode contribuir para o esclarecimento da dinâmica dos fatos. Câmera registra movimentação de veículos na casa de família desaparecida no RS Pedido de prorrogação de prisão O prazo da prisão temporária do policial militar Cristiano Domingues Francisco, suspeito de envolvimento no desaparecimento da família Aguiar, termina na próxima semana. O homem foi preso no dia 10 de fevereiro, com duração de 30 dias. O delegado Anderson Spier confirmou à reportagem que vai pedir a prorrogação da prisão temporária de Cristiano. "Em razão de ainda termos muitos dados para analisar e muitas informações importantes que precisam chegar para complementar as diligências, nós iremos provavelmente pedir a prorrogação da prisão temporária. Ainda esta semana", explica o delegado. O advogado Jeverson Barcellos sustenta que Cristiano é inocente. "Sobre a renovação [da prisão temporária], buscaremos em juízo para que não seja deferida, entendo que o tempo decorrido, sua condição de funcionário público sem qualquer antecedente, não deve ser utilizado em seu desfavor", alega. Celular de desaparecida foi encontrado com câmera tapada O suspeito é ex-marido de Silvana. Por já ter se passado mais de um mês, a polícia praticamente descarta encontrar a família com vida. A principal linha de investigação da Polícia Civil é de que se trata de feminicídio (contra Silvana), duplo homicídio (pais) e ocultação de cadáveres. A polícia já ouviu mais de 30 pessoas e defende que Cristiano é o único suspeito. A relação dele com a ex é descrita como conturbada pelo delegado, principalmente por divergências sobre a criação do filho de ambos. Família desaparecida no RS: polícia quer prorrogar prisão de suspeito Relembre o caso O g1 montou a linha do tempo que detalha os principais acontecimentos da investigação. Confira: Antes do sumiço 2 de janeiro: Silvana Germann de Aguiar solicita, em um grupo de mensagens, o contato do Conselho Tutelar; 9 de janeiro: Silvana comparece ao Conselho Tutelar para registrar que seu ex-marido, o policial militar Cristiano Domingues Francisco, desrespeitava as restrições alimentares do filho do ex-casal. O fim de semana dos desaparecimentos 24 de janeiro (sábado): Silvana é vista pela última vez. Uma publicação em seu perfil nas redes sociais dizia que ela havia sofrido um acidente em Gramado, mas que estava bem. Segundo a polícia, o acidente nunca aconteceu e o objetivo da postagem seria despistar o desaparecimento. Imagens de uma câmera de segurança registraram uma movimentação atípica de veículos na noite de 24 de janeiro: - 20h34: Um carro vermelho entra na residência de Silvana, e sai oito minutos depois; - 21h28: O veículo branco de Silvana entra na garagem da casa; - 23h30: Outro automóvel chega ao local, permanece por 12 minutos e vai embora. 25 de janeiro (domingo): - Alertados por vizinhos sobre a postagem, os pais de Silvana, Isail e Dalmira Aguiar, saem para procurar a filha. O casal de idosos tenta registrar o desaparecimento na delegacia distrital, mas a unidade estava fechada; - Segundo a Polícia Civil, após saírem da delegacia, os idosos seguiram para a residência do ex-genro, Cristiano. Em depoimento prestado inicialmente como testemunha, o policial afirmou que o casal teria pedido ajuda para procurar Silvana, já que ele é policial militar. Ele teria dito que estava preparando o almoço e que auxiliaria mais tarde; - Ainda conforme a investigação, após a visita, os idosos teriam retornado para casa e, horas depois, teriam sido vistos por vizinhos entrando em um carro não identificado, de cor desconhecida. Desde então, não foram mais vistos. Início das investigações 27 e 28 de janeiro: As ocorrências de desaparecimento são registradas formalmente. O ex-marido, Cristiano Domingues Francisco, comunica o sumiço de Silvana, e uma sobrinha informa à polícia que os idosos também não foram mais vistos; 28 de janeiro: Cristiano comparece ao Conselho Tutelar para pedir que o filho fique sob sua guarda durante as investigações; 1º de fevereiro: Cristiano envia uma foto de dentro da casa dos sogros para uma conhecida, mostrando o veículo do casal; 3 de fevereiro: A polícia ouve seis pessoas, incluindo o ex-marido e sua atual companheira. Um projétil de arma de fogo é encontrado no pátio da casa dos idosos; 4 de fevereiro: A Polícia Civil confirma que trata o caso como crime, descartando sequestro por falta de pedido de resgate. Perícias e prisão 5 de fevereiro: A perícia coleta material na casa de Silvana, encontrando vestígios de sangue no banheiro e na área externa. "Encontraram vestígios diversos de material genético, além de impressões digitais (...) Sangue também. Todos esses vestígios foram devidamente colhidos por eles e agora seguem para análise no laboratório do IGP", explica o delegado Anderson Spier, que está à frente da investigação. 7 de fevereiro: O celular de Silvana é localizado após denúncia anônima, escondido sob uma pedra em um terreno baldio próximo à casa dos pais; 9 de fevereiro: Reunião de autoridades confirma que o cartucho encontrado na casa dos idosos é de festim (munição não letal); 10 de fevereiro: - Cristiano Domingues Francisco é preso temporariamente após quebra de sigilo telefônico indicar movimentação suspeita. A reportagem tem acesso a áudios nos quais ele estaria tentando interferir na investigação (confira abaixo); - Familiares e amigos realizam um protesto e caminhada em Cachoeirinha pedindo solução para o caso; - O filho de Silvana é encaminhado para a casa dos avós paternos. Em áudio, PM suspeito de matar família no RS pergunta sobre investigação 13 de fevereiro: É divulgado que o suspeito e sua atual companheira se recusaram a fornecer as senhas de seus aparelhos. 20 de fevereiro: - O policial militar prestou depoimento à polícia. De acordo com a defesa, Cristiano ficou em silêncio; - Polícia confirma que o mesmo carro entrou duas vezes na residência de Silvana no dia em que ela desapareceu. Contudo, não foi possível identificar a placa. Assim, não se sabe quem é o proprietário. 24 de fevereiro: A perícia do celular Silvana mostrou que o aparelho nunca esteve em Gramado, diferente do que indicava a publicação feita em 24 de janeiro em suas redes sociais. 24 e 25 de fevereiro: O desaparecimento da família Aguiar completa um mês. 25 de fevereiro: Silvana é considerada a 20ª vítima de feminicídio no RS em 2026. Silvana Germann de Aguiar, Dalmira Germann de Aguiar e Isail Vieira de Aguiar Imagens cedidas/Polícia Civil VÍDEOS: Tudo sobre o RS

FONTE: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/03/03/familia-desaparecida-no-rs-policia-vai-checar-6-mil-veiculos-de-cor-e-modelo-iguais-ao-visto-na-casa-de-silvana.ghtml


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